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Dezembro de 2008: a história de Elaine Seibel antes de Sinop

Elaine Seibel chegou a Mato Grosso aos 16 anos, num lugar sem energia, sem água e com casa de chão batido. A história que veio antes de Sinop, contada por ela e pela mãe, Vanda Seibel.

Família de Elaine Seibel em frente à casa de tábua, em Entre Rios

Dezembro de 2008. Uma menina de 16 anos termina uma viagem que começou em Campos Novos, Santa Catarina, e chega num lugar onde a estrada é lama e mais lama. “Não tinha quem passava, era só quem era ninja no volante.” Quem conta é Elaine Seibel, hoje candidata a deputada estadual, e o lugar é Entre Rios, distrito de Nova Ubiratã, no norte de Mato Grosso.

Antes disso existe Gaurama, cidade pequena do interior do Rio Grande do Sul, onde ela nasceu em 18 de janeiro de 1992. Mas contar a história dela começando no Sul e terminando em Sinop pula justamente o capítulo que explica todo o resto.

A chegada não foi a uma cidade pronta. “Chegamos aqui não tinha energia, não tinha água, a casa era de chão batido, tinha que jogar água no chão pra poder baixar a poeira até conseguir organizar e fazer um piso.” Era dezembro, mês de chuva, e os caminhões que tiravam tora acabavam com o que restava da estrada.

A família também não veio inteira de uma vez. Elaine tinha 16 anos, o irmão 15, a irmã 14. Eram três irmãos, e o pai deixou os três com o avô e a avó e voltou pro Sul, porque ainda tinha lavoura pra colher lá. “E a gente foi se virando nos trinta.”

A casa veio depois, quase por acaso: a família descobriu que no negócio que o pai tinha feito havia uma casa junto. Ela ainda existe naquele lugar. Hoje não é mais deles.

O motivo da mudança cabe numa frase que muita gente do norte de Mato Grosso reconhece de imediato. “A gente veio do Sul em busca de mais prosperidade, de ter maior qualidade de vida. O meu pai sempre pensava em dar um futuro melhor pros filhos, e aí ele achou esse lugar.”

Foi ali que ela estudou. Elaine fez o ensino médio à noite, na escola do distrito, a mesma que durante o dia atendia o ensino fundamental. Hoje aquela escola tem ginásio de esportes. Na época em que ela sentava naquelas carteiras, não tinha.

Quem preenche as lacunas dessa história é a mãe, Vanda Seibel. Ela lembra de uma filha que “sempre ajudou nas comunidades” e que “sempre sonhou com esse negócio de política”. E conta de onde veio esse gosto: “meu pai também tinha raiz, sempre gostou da política”. O avô não era político. Gostava de política. Isso passou de pai pra filha, e chegou em Elaine.

De Vanda também é a frase que resume por que essa história está sendo contada agora: “quem não tem orgulho da sua história não tem absolutamente nada”.

Em 2012, quatro anos depois daquela chegada e já com vinte anos, Elaine saiu de Entre Rios para Sinop. Vieram o mercado imobiliário e os anos entregando chave. Foi trabalhando com imóveis que Elaine passou a ouvir a mesma frase de gente muito diferente: eu achei que nunca ia conseguir. É por isso que moradia digna não entrou na campanha dela como tema, entrou como consequência.

Elaine Seibel com a filha na varanda, em Entre Rios
Elaine com a filha em Entre Rios, em visita à região anos depois da mudança para Sinop.
Elaine Seibel sentada com a filha no colo, em Entre Rios
A família manteve terra no distrito, e as voltas continuaram.
Menina na varanda de uma casa em Entre Rios
A varanda, a rede e o chão de cimento: a mesma paisagem que ela descreve na chegada de 2008.

A família ainda tem terra naquele lugar, e ela mantém um sítio por lá. “Hoje eu vivo em Sinop e desenvolvo todo um trabalho lá em Sinop, mas a história de verdade começou aqui nesse lugarzinho.”

Fica a pergunta pra quem leu até aqui: e a sua história, começou onde?